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sábado, 28 de fevereiro de 2009

CIÊNCIA E ARTE UNIDAS CONTRA O RACISMO

Cordel utiliza ideias do geneticista Sérgio Pena para combater noção de raças na espécie humana


A união entre arte e ciência acaba de render mais um fruto. O conceito de que, do ponto de vista genético, a humanidade não é dividida em raças virou tema de cordel. A iniciativa, elaborada a partir das ideias do geneticista Sérgio Pena, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e colunista da CH On-line, chama a atenção para a necessidade de se combater o racismo na sociedade.

O cordel é resultado de um trabalho de conclusão do curso de pós-graduação em história afro-brasileira e indígena da Universidade de Pernambuco (UPE). A obra foi feita após a leitura e discussão do livro Humanidade sem raças?, escrito por Pena.

A autora do cordel, a aluna Maria da Saúde, decidiu usar a arte para explicar as ideias do geneticista. “Ao invés de fazer uma prosa acadêmica, um fichamento ou um artigo, como seria de se esperar em uma pós-graduação, Maria nos surpreendeu com esse cordel”, conta a professora Adriana Maria Paulo da Silva.


Segundo Silva, o cordel – intitulado Nem isto, nem aquilo – se tornou um instrumento de apoio ao ensino. “A turma entendeu melhor o texto do Sérgio depois de ouvir o cordel da Maria”, enfatiza. E completa: “Com o cordel, as ideias dele chegaram à alma dos meus alunos e alunas.”

As ideias de Pena a que a professora se refere são argumentos genéticos que derrubam o conceito de raça na espécie humana – difundidos não apenas em seu livro, mas também em suas colunas na CH On-line. Considerando a origem única e a diversidade genética dos seres humanos, Pena demonstra que a humanidade é na verdade uma “grande família”, que só pode ser dividida em 6 bilhões de indivíduos igualmente diferentes. O conceito de raça não passa de uma construção social baseada em diferenças fenotípicas (relativas às características aparentes) absolutamente superficiais.

Além de divulgar os conceitos científicos de forma simples e atrativa para o grande público, o cordel pernambucano enfatiza a importância do combate ao racismo. “A maioria dos alunos compreendeu que também é responsável pela construção de um mundo sem raças”, conclui Silva.


Confira abaixo o cordel e o vídeo da aula:

Nem isto, nem aquilo
Maria da Saúde da Silva


Esse papo de racismo
Eu sempre ouvi falar
Da cultura ignorante
Essa idéia veio aflorar
Mas hoje eu acredito
Falo, provo e lhe digo
Que isso tem que acabar

Sergio Pena, grande homem
Nos trouxe a grande questão
Não existem tantas raças
Vai pra lá de seis bilhão
O racismo é social
O genoma é crucial
E revela solução

Não é só por aparência
Que devemos entender
Se é isto ou aquilo
Que o homem deve ser
Quem só vai pela aparência
Tá por fora da ciência
Sinto muito em lhe dizer

O racismo é novinho
Ele não é velho não
Vem do século 17
Junto com a escravidão
Do povo negro africano
Que assim, durante anos
Quiseram pôr no porão O modelo tipológico
Se tornou campo propício
Pro terrível do Apartheid
Pro nojento do nazismo
Teorias baseadas
De culturas arraigadas
Disso surge o racismo

O que posso ser por fora
Não determina o que há por dentro
Cor de pele, cabelo e crânio
Isso é velho pensamento
Cada ser é um indivíduo
E em seu DNA contido
Constitui um firmamento

Somos todas da mesma espécie
Somos todos da família
Seguindo num mesmo som
Seguindo na mesma trilha
Compreender que não há raça
Isso é a causa da desgraça
De cada um na sua ilha


A professora Adriana da Silva filmou a aluna Maria da Saúde declamando seu cordel junto com seus colegas de turma (clique na imagem para assistir ao vídeo).

Isabela Fraga
Ciência Hoje On-line
26/02/2009

ESSE ARTIGO FOI ENVIADO POR E-MAIL PELO PROFESSOR DE CIÊNCIAS, LEOPOLDO QUARESMA, QUE MUITOS JÁ CONHECEM! VALEU, LEOPOLDO! OBRIGADA POR SUA CONTRIBUIÇÃO!!!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

AS CINCO MAIORES RELIGIÕES DO MUNDO - BUDISMO


O símbolo do Budismo é a Roda Dharmica ou Dharmacakra. Apesar desta ser um símbolo admitido por todas as religiões dharmicas, como o Jainismo, tal símbolo é considerado o símbolo oficial do Budismo. É um círculo com oito braços surgidos no centro apontando direções diferentes. Cada um dos braços representa cada uma das oito práticas que constituem o Nobre Caminho Óctuplo: Compreensão Correta, Pensamento Correto, Fala Correta, Ação Correta, Meio de Vida Correto, Atenção Correta, Sabedoria Correta e Visão Correta.


Para o budismo, vencer o apego é vencer a dor

FRANCISCO MADUREIRA
Editor de Informática da Folha Online

A vida é feita de sofrimento. O sofrimento, por sua vez, vem do apego que temos aos desejos do corpo físico. Qualquer um pode vencer esse apego, e existe um caminho para superá-lo. Essas são as quatro verdades fundamentais do budismo, religião fundada pelo príncipe Siddartha Gautama aproximadamente 500 anos antes no nascimento de Cristo.

Siddartha Gautama ficou posteriormente conhecido como Buda Gautama. Ele nasceu aos pés do Himalaia, atual Nepal, e cresceu cercado pela vida palaciana. Curioso por não conhecer a velhice e a morte, aos 29 anos ele decidiu peregrinar pela região onde vivia. Seguiu monges ascéticos —que ignoravam completamente a vida física — e acabou conhecendo o extremo oposto do materialismo.

A partir daí, Buda concluiu que o apego à matéria causa sofrimento porque o mundo físico não é permanente. O materialismo, o desejo, a luxúria e a ambição —seguidos da desilusão— são as causas da dor. Livrar-se deles é livrar-se do sofrimento.

O nirvana, diferente de paraíso budista ou de "entrar no nada", é antes vencer o apego, o ódio e a ignorância. Só é possível superar o sofrimento ao aceitar a imperfeição, a transitoriedade e a interdependência entre tudo e todos no universo.

O caminho para atingir o nirvana e se livrar da dor é chamado "dharma". Para o príncipe Gautama, o "dharma" é o caminho do meio, compreendido pelo budismo como o equilíbio entre o materialismo e o idealismo, entre o hedonismo e o ascetismo. Para trilhar o caminho do meio, o seguidor do budismo deve seguir oito etapas:

Sabedoria

Visão correta
Compreensão das quatro nobres verdades do budismo (a vida é sofrimento, o sofrimento vem do apego, o apego pode ser superado e há um caminho para isso).

Vontade correta
Vontade sincera de se libertar do apego, da ignorância e do ódio

Moral

Fala correta
Abstenção da mentira e da maledicência

Ação correta
Abstenção de comportamentos prejudiciais, como assassinato, roubo ou sexo livre

Meio de vida correto
Sustento da própria vida (profissão) honesto e que não machuque ou prejudique outras pessoas, inclusive animais

Meditação

Esforço correto
Exercício mental para que as más qualidades sejam abandonadas e mantidas longe do comportamento e para que as boas qualidades sejam cumpridas e cultivadas

Atenção correta
Concentração no próprio corpo, nos próprios sentimentos, pensamentos e consciência para superar o ódio e a ignorância

Concentração correta
Meditação sobre as formas de progressivamente compreender que o universo é transitório e tudo depende de tudo.

AS CINCO MAIORES RELIGIÕES DO MUNDO - ISLAMISMO

O símbolo do islã é a lua crescente ou hilal.


Saiba mais sobre o Islamismo,
a religião de Allah

RICARDO FELTRIN
Editor da Folha Online

O islamismo é a religião que mais cresce no mundo: 15% ao ano. São hoje mais de 1,2 bilhão de pessoas (7 milhões só nos EUA). Uma em cada cinco pessoas na Terra é muçulmana, outro nome dado aos seguidores do islamismo.

Essa religião nasceu com a revelação do livro sagrado dos muçulmanos, o Alcorão. Foi revelado ao profeta Muhammad por volta de 622 d.C., em Meca (Arábia Saudita). Muhammad (570-632 a.C) recebeu e recitou o Alcorão aos seus companheiros, que o escreveram. A religião mais conhecida era, até então, a dos cristãos (e, em menor número, a judaica). Muhammad recebeu a palavra de Deus por intermédio do anjo Gabriel.

Assim como a Bíblia, o Alcorão também ensina que há apenas um Deus, que existe céu (com anjos) e inferno (com demônios), e que sua lei deve ser seguida à risca. Também é repleto de metáforas, provérbios e sentenças, que podem ser bem ou mal interpretados.

Para os seguidores dessa religião, Jesus Cristo foi realmente um profeta enviado por Deus, mas sua missão não teria chegado ao final. Isso porque sua palavra não foi compreendida e aceita pelos judeus.

Por isso houve a necessidade que viesse um outro profeta, que teria contato direto com o Onipotente. Ele veio completar a mensagem de Jesus, diz a tradição. Esse homem que traria a lei divina foi Muhammad, cujo nome foi traduzido incorretamente para o português como Maomé.

A religião de Allah (como Deus é chamado pelos islâmicos) não aceita adoração de imagens e nem música instrumental, apenas percussão. Tampouco permite sexo antes do casamento. Mas, pelas leis religiosas, o homem pode casar com até quatro mulheres.

Também como há um aviso divino no último livro da Bíblia, para que nenhuma palavra ou letra seja alterada, retirada ou incluída (no Apocalipse de São João, 22, 18-19), o mesmo acontece com o Alcorão. Como foi ditado por Deus, nenhum ser vivo pode tocar em seu texto original.

Todo muçulmano que tiver saúde e dinheiro suficiente deve ir pelo menos uma vez na vida até Meca, na Arábia Saudita, onde está a Mesquita Sagrada. Lá, o fiel deve dar sete voltas em torno da primeira grande edificação sagrada, a Caaba.

Há outras atividades e locais que devem ser visitados, como o Monte Arafat e a cidade de Medina _para onde Muhammad migrou quando foi perseguido em Meca.

Essa saída de Muhammad de Meca é chamada de hégira ("migração") e marca o início do calendário muçulmano. Marca o momento em que todo um povo pagão passou a seguir os preceitos do islamismo. O ano muçulmano é medido pelas 12 revoluções completas da Lua em torno da Terra. Numa média, seu ano é 11 dias menor que o nosso ano solar. Em 26 de março de 2001, entramos no ano 1422 de seu calendário.

Durante o controle de Meca, surgiu com força a idéia e sensação coletiva de que todos os muçulmanos são irmãos e que devem combater todos os homens até que reconheçam que só há um Deus.

Cinco pilares

O Islamismo tem cinco fundamentos obrigatórios para quem quer segui-lo à risca:

1) Testemunhar que só há um Deus
2) Rezar cinco vezes ao dia
3) Dar 2,5% de seu lucro líquido para as pessoas mais carentes
4) Jejuar no mês de Ramadã
5) Peregrinação à Meca

Em outra semelhança com o mundo cristão, os muçulmanos também sofreram uma cisão, como a que ocorreu entre católicos e protestantes. No seu caso, a divisão é entre os sunitas e xiitas, que disputam o direito à sucessão de Muhammad. Só que os sunitas representam 90% dos muçulmanos no mundo.

Assim como no cisma cristão, um dos motivos da luta entre sunitas e xiitas é saber quem deveria liderar o islamismo depois da morte do profeta, e também quem teria a "propriedade" da interpretação correta da palavra de Deus. Mas, na verdade, a palavra é uma só.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

AS CINCO MAIORES RELIGIÕES DO MUNDO - JUDAÍSMO

A Estrela de David é símbolo gráfico da identidade nacional judaica e tornou-se mais difundida quando os praticantes de Cabala da Europa o introduziram ao final da Idade Média. Ficou mais difundida quando os cabalistas fizeram com ela o desenho central de amuletos e talismãs protetores. A Estrela de David foi adotado pelos sionistas como símbolo nacional judaico.

Conheça um pouco da história do Judaísmo

RICARDO FELTRIN
Editor-Chefe da Folha Online


A história do judaísmo começa com Abrahão, por volta do ano 2.100 a.C. Abrahão morava na Mesopotâmia quando recebeu uma mensagem de Deus ordenando-o a abandonar sua terra natal e a seguir para um novo local, onde seria "fundado" o povo de Deus. A esse povo Deus garantiu bençãos, favores e sua predileção. O local escolhido foi a terra de Canaã.

Abrahão obedeceu e partiu. Mais tarde, quando morreu, seu poder foi passado ao filho Isaac e deste para Jacob, que por sua vez o dividiu entre seus 12 filhos. Um deles era José, que mais tarde seria vendido como escravo ao faraó, rei do Egito.

José era tão sábio e foi tão querido pelo faraó (rei do Egito) que ganhou um cargo e poderes imensos: chegou a ser uma espécie de vice-rei. Imediatamente José tratou de dar a seus irmãos mais terras, para que as cultivassem. Assim os israelitas começaram a prosperar.

Esse foi o problema: prosperaram tanto e se tornaram tão ricos e tão numerosos que assustaram o reino egípcio. Resultado: foram subjugados militarmente e submetidos à escravidão. O faraó ainda não estava satisfeito. Pretendia interromper de forma definitiva sua expansão: decidiu que todos os varões que nascessem nas famílias israelitas deveriam ser mortos. E assim foi feito, e de forma cruel. Às meninas, no entanto, era dado o direito à vida.

Um desses bebês, cujo destino certo era a morte, foi escondido por seus pais dos soldados egípcios. Os pais conseguiram isso durante três meses. Quando a vida do bebê passou a correr perigo iminente, seus pais o colocaram numa cesta e o soltaram no rio Nilo.

Quis o destino que uma das filhas do faraó visse o cestinho boiando nas águas e ouvisse o choro do bebê. Ela tratou de resgatá-lo e o menino ganhou o nome de Moisés, ou Moschê, que pode significar "retirado" ou "nascido das águas".

Moisés cresceu e estudou dentro do reino egípcio, sempre muito bem tratado, apesar de sua salvadora saber que era filho de hebreus.

Um dia, enquanto ainda vivia no reino, Moisés foi visitar seus "irmãos" hebreus e viu um deles ser ferido com crueldade por um egípcio. Irado, Moisés matou o egípcio e escondeu seu corpo na areia. Mas as notícias correram rapidamente: o faraó soube do crime e decidiu mandar matar Moisés. No entanto, ele conseguiu fugir para a terra de Madiã.

Foi ali que ele conheceria sua primeira mulher, filha do sacerdote local, chamada Séfora. Ela lhe deu um filho, que ganhou o nome de Gerson (que significa "hóspede").

"Porque sou apenas um hóspede em terra estrangeira", diz Moisés no capítulo 2, versículo 22 do Êxodo.

Passaram-se os anos, o faraó que perseguia Moisés morreu, mas os israelitas (ou hebreus) continuavam sob o jugo egípcio. Diz a Bíblia que Moisés se compadeceu do sofrimento de seu povo e clamou a Deus pelos seus irmãos. Deus o ouviu.

Deus apareceu para Moisés pela primeira vez numa fogueira de sarça, feita no monte Horeb. E lhe disse:

"(...) Eis que os clamores dos israelitas chegaram até mim, e vi a opressão que lhes fazem os egípcios. Vai, te envio ao faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo (Êxo, 3, 9-10)."

Apesar de achar que nem o novo faraó nem seus próprios irmãos acreditariam nele, Moisés fez o que Deus mandou. Voltou ao Egito e contatou o faraó. Este parecia inabálavel na decisão de manter os hebreus escravos.

O faraó só mudou de idéia depois que viu seu reino ser atingido por dez pragas enviadas diretamente por Deus. Finalmente, ele permitiria a libertação dos israelitas. Na verdade, foi uma expulsão.

É aí que começa a primeira grande movimentação de um povo na história. A Bíblia fala em 600 mil vagando pelo deserto durante 40 anos, em direção à terra prometida. Atravessaram o golfo ocidental do Mar Vermelho.

Nasce o Judaísmo

Durante essas quatro décadas Deus comunicou-se diretamente com Moisés e deu todas as leis a serem seguidas por seu "povo eleito". Os dez mandamentos, o conjunto de leis sociais e penais, as regras dos alimentos, os direitos sobre propriedades... Enfim, tudo foi transmitido por Deus a Moisés, que retransmitia cada palavra ao povo que o seguia. Era o nascimento do Judaísmo.

A missão não foi fácil nem para Deus: durante os 40 anos que "acompanhou" os israelitas no deserto, o Todo-Poderoso voltou a constatar os terríveis defeitos da natureza humana. Cansados, sem esperança e desconfiados de Moisés, muitos iriam atacá-lo e criticá-lo. A incredulidade e a desobediência dos israelitas eram tamanhas que, algumas passagens, Deus pondera em destrui-los e a dar a Moisés outro povo (a primeira vez que Deus "lamenta" ter criado a raça humana está em Genesis 6, 6).

Mas Moisés não queria outro povo. Clamou novamente a Deus para que perdoasse os erros dos israelitas. Era com eles que queria seguir até a terra prometida. Deus aquiesceu.

Moisés levou a cabo sua missão. Subiu as planícies de Moab ao monte Nebo, em frente a Jericó (hoje uma área sob controle palestino) e legou aos seus descendentes o Torah (o Velho Testamento).

"Eis a terra que jurei a Abraão, Isaac e a Jacó dar à tua posteridade. Viste-a com os teus olhos, mas não entrarás nela (disse Deus). E Moisés morreu." (Deut, 34, 4-5).

"Não se levantou mais em Israel profeta comparável a Moisés, com quem o Senhor conversava face a face." (Deut, 34, 10).

E os judeus passaram a seguir apenas as leis do Torah. Jesus Cristo não é aceito como filho de Deus, como diz o Novo Testamento, conjunto de livros que é desconsiderado pela religião judaica.

AS CINCO MAIORES RELIGIÕES DO MUNDO - HINDUÍSMO

ॐ Ôm
Sílaba sânscrita hinduísta de invocação, afirmação e benção solene. É composta de três letras a-u-m que simbolizam os três vedas principais e os três níveis de consciência segundo a concepção hindu. É também símbolo monossilábico da Trimutri (a tríade hinduísta, composta de Brahma, Shiva e Vishau). O Ôm é considerado um dos mais importantes mantras (palavras ou sons que contém poder mágico ou espiritual), e seu valor está contido tanto na própria idéia que representa como no seu poder fonético ou vibracional.

Saiba mais sobre o Hinduísmo,
a religião dos deuses

RICARDO FELTRIN
Editor da Folha Online

Hinduísmo, mais do que uma simples religião, é um complexo conjunto de doutrinas e práticas religiosas que surgiram na Índia cerca de 4.000 anos atrás. Em sânscrito a palavra hinduísmo escreve-se "sanatana dharma", que significa "a lei permanente". As estimativas falam entre 650 milhões e 750 milhões de adeptos dessa religião no mundo.

A base do hinduísmo está nos chamados Quatro Livros Sagrados dos Vedas (Rigveda, Samaveda, Yajurveda e Artharvaveda). O conhecimento que deu origem a esses livros possivelmente veio pela tradição oral e, talvez, até mesmo pela pintura. No século 10, foram compilados por vários estudiosos e religiosos.

Acredita-se que a origem dos Vedas, um povo ário, seja indo-européia. Esse grupo teria chegado à região dos rios Indo e Ganges por volta de 1.500 a.C. e lá se estabelecido de forma definitiva, com sua vasta cultura religiosa.

O hinduísmo é uma das primeiras religiões a ter como fundamento a crença na reencarnação e no carma, bem como na lei de ação e reação --que milhares de anos depois, no século 19, seria encampada pelo espiritismo (só que, esta, uma religião "positivista"). Para os hindus, tudo reencarna. Não só pessoas, mas animais também. Um homem pode reencarnar num animal, inclusive, segundo a religião. Pode ser uma forma de punição ou de purificação, diz a teoria.

Assim como o islamismo (atualmente) e o cristianismo (entre os séculos 14 e parte do 19), o hinduísmo também ganhou status de ordem política, já que essa religião ensina que a lei (dharma) criou os humanos e a própria natureza sob um sistema de castas. Cada indivíduo pertence à casta que merece. Quanto mais alta a casta, em tese, maior evolução espiritual a pessoa tem.

O advento e estabilização da democracia na Índia a partir do século 20 (e, por consequência, o maior poder de questionamento intelectual da sociedade) têm gerado bastante desconforto social em relação a dogmas como esse das castas.

De forma geral, o hinduísmo não busca a felicidade neste mundo material e primitivo. Sua principal orientação é para que o homem se liberte de todo o carma e das reencarnações (sansara) e atinja um estado conhecido como nirvana. O "Paraíso", para os hindus, é esse: o nirvana. Para atingir esse "lugar" (na mente) é necessário praticar ioga e meditação diariamente, por toda a vida.

"Vertentes" e mesmo seitas originárias do hinduísmo grassam hoje por todo o mundo, inclusive pelo Brasil.

Trata-se de uma religião politeísta (com vários deuses e deusas). Entre eles, Brahma, o deus principal e criador, que, com Shiva e Vishnu, formam a tríade divina (traduzindo para os cristãos: Pai, Filho e Espírito Santo). Além desses também há o importante Varuna, o deus dos deuses; Agni (patriarca dos homens e deus do fogo); e muitos outros, como a deusa Maya (ilusão), que comanda este mundo "ilusório".

Ratos, vacas e serpentes são animais considerados sagrados. Justamente por isso, os ratos se transformaram hoje em uma praga indestrutível na Índia. Em 2000 calculava-se existir 3,5 bilhões deles (mais de três vezes a população do país, de cerca de 1,04 bilhão de habitantes).

Segundo a tradição, Brahma teve quatro filhos que deram origem às quatro castas: brâmanes (os que saíram da boca de Brahma) são a mais elevada; os xátrias (os que saíram dos braços de Brahma) são os guerreiros; os vaicias (os que saíram das pernas de Deus ou Brahma) são os camponeses e comerciantes; os sudras (aqueles que saíram dos pés de Brahma), são os servos e escravos.

Os párias, a quinta categoria, nem são considerados uma casta. São pessoas que ou cometeram "crimes" e desobedeceram às leis sagradas ou tiveram ascendentes "acusados" disso. Portanto, filho de pária, pária é. Socialmente são considerados um "nada". A eles, em tese, é proibido viver nas cidades e até mesmo ler qualquer um dos livros sagrados. Em alguns pontos da Índia, essa determinação tem sido rejeitada mesmo por membros de castas mais elevadas.

AS CINCO MAIORES RELIGIÕES DO MUNDO - CRISTIANISMO


Conheça o cristianismo, a religião de Jesus

CELESTINO VIVIAN
da Folha Online

O cristianismo é uma das chamadas grandes religiões. Tem aproximadamente 1,9 bilhão de seguidores em todo o mundo, incluindo católicos, ortodoxos e protestantes. Cristianismo vem da palavra Cristo, que significa messias, pessoa consagrada, ungida. Do hebraico mashiah (o salvador) foi traduzida para o grego como khristos e para o latim como christus.

A doutrina do cristianismo baseia-se na crença de que todo o ser humano é eterno, a exemplo de Cristo, que ressuscitou após sua morte. A fé cristã ensina que a vida presente é uma caminhada e que a morte é uma passagem para uma vida eterna e feliz para todos os que seguirem os ensinamentos de Cristo, baseados na fraternidade e no amor ao próximo.

Os ensinamentos estão contidos na Bíblia, dividida entre o Antigo e o Novo Testamento.

O Antigo Testamento trata da lei judaica, ou Torah. Começa com relatos da criação e é todo permeado pela promessa de que Deus, revelado a Abraão, a Moisés e aos profetas enviaria à Terra seu próprio filho como Messias, o salvador.

O Novo Testamento contém os ensinamentos de Cristo, escritos por seus seguidores. Os principais são os quatro evangelhos ("mensagem", "boa nova"), que são quatro versões mais ou menos semelhantes da vida de Cristo, escritas pelos apóstolos Mateus, Marcos, Lucas e João. Também inclui os Atos dos Apóstolos (cartas e ensinamentos que foram passados de boca em boca no início da era cristã, com destaque para os textos de São Paulo) e o Apocalipse (texto até hoje polêmico e que narra, basicamente, como seria ao fim do mundo).



O nascimento do cristianismo se confunde com a história do império romano e com a história do povo judeu. Na sua origem, o cristianismo foi apontado como uma seita surgida do judaísmo.

Quando Jesus Cristo nasceu, na pequena cidade de Belém, próxima a Jerusalém, os romanos dominavam a Palestina. Os judeus viviam sob a administração de governadores romanos e, por isso, aspiravam pela chegado do Messias, apontado na Torá como o enviado que os libertaria da dominação romana.

Segundo a Bíblia, até os 30 anos Jesus viveu anônimo em Nazaré, cidade situada no norte do atual Israel. Aos 33 anos seria crucificado em Jerusalém e ressuscitaria três dias depois. Em pouco tempo reuniu seguidores (os 12 apóstolos) e percorreu a região pregando sua doutrina e fazendo milagres, como ressuscitar pessoas mortas e curar cegos, o que lhe garantiu rápida popularidade.

Mas, para as autoridades religiosas judaicas ele era um blasfemo, por não seguir à risca os ensinamentos da Torah. Também não dava mostras de que seria o líder que libertaria a região da dominação romana. Ele apenas pregava paz, amor ao próximo. Para os romanos, era um agitador popular, que não reconhecia a divindade do imperador de Roma.

Após ser preso e morto, a tendência era de que seus seguidores se dispersassem e seus ensinamentos fossem esquecidos. Ocorreu o contrário. É justamente nesse fato que se assenta a fé cristã. Como haviam antecipado os profetas no Antigo Testamento, Cristo ressuscitou, apareceu a seus apóstolos que estavam escondidos e ordenou que se espalhassem pelo mundo pregando sua mensagem de amor e paz. Apóstolo quer dizer enviado.

O cristianismo firmou-se como uma religião de origem divina. Seu fundador era o próprio filho de Deus, enviado como salvador e construtor da história junto com o homem. Ser cristão, portanto, seria engajar-se na obra redentora de Cristo, tendo como base a fé em seus ensinamentos.

Rapidamente, a doutrina cristã se espalhou pela região do Mediterrâneo e chegou ao coração do império romano. São Pedro, um dos 12 apóstolos, se tornou o primeiro bispo de Roma e o primeiro papa. A ele, Jesus teria dito: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". Igreja significa reunião.

A difusão do cristianismo pela Grécia e Ásia Menor foi obra especialmente do apóstolo Paulo, que não era um dos 12 e teria sido chamado para a missão pelo próprio Jesus. As comunidades cristãs se multiplicaram. Surgiram rivalidades. Em Roma, muitos cristãos foram transformados em mártires, comidos por leões em espetáculos no Coliseu, como alvos da ira de imperadores atacados por corrupção e devassidão.

Em 313, o imperador Constantino se converteu ao cristianismo e concedeu liberdade de culto, o que facilitou a expansão da doutrina por todo o império. Antes de Constantino, as reuniões ocorriam em subterrâneos, as famosas catacumbas que até hoje podem ser visitadas em Roma.

O cristianismo, mesmo firmando-se como de origem divina, é, como qualquer religião, praticado por seres humanos com liberdade de pensamento e diferentes formas de pensar.

Assim, à medida que foi ganhando terreno, também enfrentou rachas -sua grande ferida viva do passado e do presente.

Desvios de percurso e situações históricas determinaram os rachas que dividiram o cristianismo em várias confissões (as principais são as dos católicos, protestantes e ortodoxos).

O primeiro grande racha veio em 1054, quando o patriarca de Constantinopla, Miguel Keroularios, rompeu com o papa, separando do cristianismo controlado por Roma as igrejas orientais, ditas ortodoxas. Bizâncio e depois Constantinopla (a Istambul de hoje, na Turquia), seria até 1453 a capital do império romano do Oriente, ou Império Bizantino.

O império romano do Ocidente já havia caído muito tempo antes, em 476, marcando o início da Idade Média. E foi justamente na chamada Idade Média, ainda hoje um dos períodos mais obscuros da história, que o cristianismo enfrentou seus maiores desafios, produzindo acertos e erros.

Essa caminhada culminou com o segundo grande racha, a partir de 1517. O teólogo alemão Martinho Lutero, membro da ordem religiosa dos Agostinianos, revoltou-se contra a prática da venda de indulgências e passou a defender a tese de que o homem somente se salva pela fé.

Lutero é excomungado e funda a Igreja Luterana. Não reconhece a autoridade papal, nega o culto aos santos e acaba com a confissão obrigatória e o celibato dos padres e religiosos. Mas mantém os sacramentos do batismo e da eucaristia.

Mais tarde, a chamada Reforma Protestante deu origem a outras inúmeras igrejas cristãs, cada uma com diferentes interpretações de passagens bíblicas ou de ensinamentos de Cristo.

Atualmente, está em curso um movimento de reunificação cristã. Teve início há cerca de 40 anos, a partir do famoso Concílio Vaticano II (1962-1965) promovido pela Igreja Católica. Cresce a percepção de que o cristianismo precisa restabelecer sua unidade.

O chamado ecumenismo envolve o diálogo do cristianismo também com as outras grandes religiões, como o islamismo, o judaísmo, o hinduísmo e o budismo.

O caminho será longo, mas a hora é a de acabar com fanatismos, que nada têm de religioso e são origem de tantos males.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

EGITO ATUAL - CAIRO


Com 15 milhões de habitantes, o Cairo, em árabe Al-Qahira, é a maior cidade do Oriente Médio e, pelo menos, quatro vezes maior do que qualquer outra cidade da África. Por ser a capital do Egito, muitos residentes do Cairo (chamados cairenses) trabalham para o governo. A cidade é cor de bronze e bege por causa dos muitos anos exposta à areia e ao smog. O tráfego segue lento, geralmente a passo de lesma e às vezes, a velocidades incríveis, mas de qualquer maneira, os faróis vermelhos, geralmente, são ignorados, com amplo uso de buzinas e gritaria. Na verdade, o Cairo pode ser a cidade mais barulhenta do mundo. Localizada ao longo do Rio Nilo, a poucas milhas de seu delta, o Cairo divide o país em "Alto" e "Baixo" Egito.



Comparada à longa historia do Egito, a capital é praticamente nova, com apenas 1.000 anos de idade. Seu nome arábico, al-Qahira, significa "vitorioso," e o Cairo, sem dúvida, foi uma cidade vitoriosa por centenas de anos após a sua criação. Foi a capital de poderosas dinastias muçulmanas antes de cair em mãos estrangeiras. Hoje, mais de 400 monumentos históricos ainda sobrevivem, a maior parte dentro ou próximo à vizinhança chamada "Cairo Islâmica". Entre os mais famosos estão: a Cidadela, a Mesquita Muhammed Ali Mosque e a Mesquita El-Hussein. O grande mercado Khan el-Khalili, com suas ruas estreitas de vendedores e cafés, foi criado inicialmente em 1380 d.C.



Cairo está lutando para ser uma cidade moderna à sombra das antigas pirâmides de Gizé. Arranha-céus, trens subterrâneos e a alta sociedade misturam-se com velhas casas de tijolos, carrinhos puxados por mulas e crianças pobres pedindo esmolas. Desde a sua fundação, o Cairo tem sido a capital cultural do mundo árabe, produzindo eruditos em suas universidades e hoje produzindo mais filmes e programas de televisão árabes do que qualquer outro país. Cairo, também é considerada a capital política do mundo árabe.

Mas, a maioria dos cairenses simplesmente estão tentando sobreviver. Cada vez mais pessoas deixam suas aldeias em direção às cidades todos os dias, sem emprego ou trabalho à sua espera. Alguns vivem em barcos a remo ao longo do Nilo. Quase 500.000 vivem em tumbas nos grandes cemitérios da cidade, chamada Cidade dos Mortos, onde o governo fornece água corrente e eletricidade. Os cairenses se viram como podem, sempre mantendo o seu senso de humor. Quanto mais parentes vêm morar em seu apartamento de um quarto só, eles dizem que já é possível desmaiar sem cair no chão.

Fonte: Geocities

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O EGITO ATUAL


EGITO (em árabe MISR ou MASR)
Oficialmente República Árabe do Egito (R.A.E.), Estado da África,
1.000.000 de km2;
População: 58.300.000 hab.
Cap.: Cairo
Língua: árabe.
Religião: 80% islâmica (principalmente sunita)
Moeda: Libra egípcia



A República Árabe do Egito é um país quase quadrado, no canto nordeste do Continente Africano. O Egito faz fronteira com o Sudão ao sul, com a Líbia ao oeste, com o Mar Mediterrâneo ao norte e pelo Mar Vermelho e Israel ao leste. Egito e Israel lutaram 4 guerras em menos de 50 anos, mas depois o Egito liderou o mundo árabe no processo de paz com o seu vizinho. Em troca, o Egito recebeu de volta o domínio da Península do Sinai, onde estão localizadas as mais altas montanhas e um dos muitos desertos do país.

Pouca chuva cai sobre o Egito, então quase todos moram ao longo da única fonte de água, o Rio Nilo. Este rio toca em apenas 4% das terras do Egito, fazendo do Egito um dos lugares mais abarrotadas do mundo. Cairo, a capital da nação, é a maior cidade árabe e a maior cidade da África. É tão apinhada que as pessoas moram em prédios cuja construção nem está terminada ainda. Apesar de tudo, os egípcios são conhecidos por seu ótimo senso de humor e hospitalidade.

A maioria dos egípcios descende dos antigos egípcios e dos invasores árabes do século VII, que se espalharam numa área que hoje é conhecida por Arábia Saudita. Além de ter a maior população árabe do mundo, o Egito também é a liderança política e o Cairo um centro de cultura muçulmana e aprendizado. A maioria dos egípcios é muçulmano.

A quase-totalidade da população concentra-se no vale do Nilo, que representa um trigésimo da superfície do país, cujo restante é formado de desertos com alguns oásis. A enchente do Nilo (agosto-setembro) há muito condicionara a vida do país. Hoje, a construção de barragens permite a irrigação permanente, que propicia o desenvolvimento de culturas comerciais (cana-de-açúcar e, sobretudo, algodão de excelente qualidade), além de tradicionais culturas de cereais (trigo, milho, arroz). A "alta barragem" de Assuã (Sadd al-Ali) possibilitou a cultura em novas terras e, principalmente, forneceu energia de origem hidráulica, o que favoreceu, com o petróleo do nordeste, o desenvolvimento de uma indústria até então praticamente limitada ao tratamento do algodão. O canal de Suez forneceu importantes recursos, mas o conflito de 1967 interrompeu o tráfego (hoje restabelecido). O nível de vida da população é ainda pouco elevado (particularmente o dos camponeses ou felás). Alexandria é o principal porto do Egito, cuja capital Cairo é a maior cidade da África. A quase-totalidade da população concentra-se no vale do Nilo, que representa um trigésimo da superfície do país, cujo restante é formado de desertos com alguns oásis. A enchente do Nilo (agosto-setembro) há muito condicionara a vida do país. Hoje, a construção de barragens permite a irrigação permanente, que propicia o desenvolvimento de culturas comerciais (cana-de-açúcar e, sobretudo, algodão de excelente qualidade), além de tradicionais culturas de cereais (trigo, milho, arroz). A "alta barragem" de Assuã (Sadd al-Ali) possibilitou a cultura em novas terras e, principalmente, forneceu energia de origem hidráulica, o que favoreceu, com o petróleo do nordeste, o desenvolvimento de uma indústria até então praticamente limitada ao tratamento do algodão. O canal de Suez forneceu importantes recursos, mas o conflito de 1967 interrompeu o tráfego (hoje restabelecido). O nível de vida da população é ainda pouco elevado (particularmente o dos camponeses ou felás). Alexandria é o principal porto do Egito cuja capital Cairo é a maior cidade da África.

FONTE: Geocities

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

SOCIEDADE INDIANA - AS RUAS: CARROS, RIQUIXÁS E CAMELOS SE MISTURAM HARMONIOSAMENTE



Ao andar pelas ruas das cidades na Índia, é possível encontrar veículos bem parecidos com os que circulam pelo Brasil: carros, ônibus, bicicletas e motocicletas fazem parte de um trânsito bastante confuso, que funciona, porém, muito bem.

O que são riquixás?
Além destes veículos, trafegam pelas ruas os famosos riquixás, uma espécie de triciclo que funciona como transporte, muitas vezes turístico. Há ainda os tuc-tucs, mais confortáveis, que têm sua estrutura sobre uma moto e que funcionam da mesma forma, inclusive como táxi.



Bichos soltos
Outra característica muito comum às ruas da Índia são os animais, que circulam normalmente em meio aos carros e demais veículos. Camelos, elefantes, vacas e outros bichos andam soltos pelas ruas, já que são considerados seres sagrados pelos indianos. Não é difícil encontrar uma vaca deitada no meio do asfalto, obrigando os motoristas a desviar do animal.


Paz no trânsito
O ruído das buzinas também toma conta das ruas, apesar dos motoristas serem muito calmos e raramente acontece alguma briga entre eles por causa do trânsito. Juliana Paes, que esteve na Índia em outubro para gravar cenas para Caminho das Índias, próxima novela das oito, conta que ficou impressionada com o que viu: “Não há brigas entre o cara da bicicleta e o do carro, a vez é de quem chega primeiro, sem malandragem, sem estresse. São raros os acidentes e quando acontecem, não são graves. Caiu da bicicleta, levanta e tudo bem… Nada de querer ir atrás do mal-caráter que o fechou. Ele caiu e pronto, acontece. E se a vaca cruza na frente do carro, pára tudo! Deixa ela passar”.

SOCIEDADE INDIANA - DIVIDIDOS EM CASTAS


Uma peculiaridade da cultura indiana é o sistema de castas. A casta é um sistema de estratificação social hereditário, fundamentado na religião hindu. Mas atenção: a casta não deve ser confundida com classe social; ela não está necessariamente ligada à riqueza ou pobreza. O indivíduo nasce e morre dentro de sua casta e a transmite a seus filhos, independente de quantos bens venha a juntar ou dos méritos que venha a acumular.

A casta não é regida pelo que uma pessoa possui, mas pelo que ela é. Portanto, é imutável, não permite nenhuma mobilidade.



A origem
Segundo o hinduísmo, a humanidade nasceu de um único deus: Brahma. Porém, cada um se originou de diferentes partes de seu corpo. Esse é o critério para classificar as 4 castas básicas:
- Brâmanes (sacerdotes, professores, sábios) - a casta mais alta, saiu da boca de Brahma
- Xátrias (governantes e guerreiros) dos braços de Brahma
- Vaisias (*ou Vaixás, de acordo com outras fontes) (comerciantes) das pernas de Brahma
- Sudras (agricultores, prestadores de serviço) dos pés de Brahma

Os “sem-casta”
Os dalits, ou intocáveis, são párias: aqueles que não têm casta, a poeira sob os pés de Brahma. Eles realizam os trabalhos considerados impuros para as outras castas, como a limpeza de excrementos, a lida com os cadáveres. Os dalits não podem beber água na mesma corrente dos demais, não lhes é permitido entrar nos templos, nem mesmo tocar, com seu corpo ou com sua sombra, um indivíduo pertencente a qualquer casta.

Luta contra o preconceito
Gandhi foi um dos que lutaram pela inclusão dos intocáveis. Ele próprio passou a lavar o seu e outros banheiros, numa atitude simbólica que tinha por finalidade demonstrar a igualdade entre os homens.

Depois da independência da Índia, em 1947, um intocável, o dr. Ambdkar, participou da redação da nova constituição, que aboliu as castas - da lei, mas não dos costumes. Elas vigoram até hoje, mais fortemente nas regiões rurais, e o governo da Índia tem feito campanhas sistemáticas no intuito de transformar esse quadro, estimulando com prêmios casamentos entre castas e proporcionando aos dalits o direito à educação e ao mercado de trabalho. Apesar de ainda encontrarem muita resistência, os dalits já fizeram conquistas consideráveis: entre outras, a eleição de Mayawati, uma intocável, para governadora do estado de Uttar Pradesh.

* O acréscimo foi feito por mim, Profª Libna.

RELIGIÃO INDIANA - O HINDUÍSMO


Os fundamentos da religião estão contidos nos quatro livros sagrados, os Vedas, que em sânscrito quer dizer conhecimento. São eles:
- Rigveda
- Samaveda
- Vajurveda
- Atharaveda
Cada um destes livros contém hinos, ritos e preces que são compostos de duas partes: a parte do trabalho e a do conhecimento.

Poemas heróicos
Há também duas grandes epopéias: o Mahabharata e o Ramavana. Dentro do Mahabharata é que se encontra o famoso Bhagavad-Gita (O Canto do Senhor Bendito), que narra o diálogo entre Arjuna e seu cocheiro, que era secretamente o deus Krishna, sobre a inevitável guerra entre os Kurus e os Pândavas para obterem o domínio da cidade de Hastinapura, um dos mais importantes centros da civilização hindu. O Ramayana, que é composto por cerca de 50.000 versos e narram as aventuras do príncipe Rama e sua esposa Sita. Há também os Upanishads, que são considerados como a essência original dos Vedas e é o mais sagrado de todos os livros.

A trindade divina hindu
Embora apresente uma enorme gama de divindades, o hinduísmo tem uma trindade principal de deuses, composta por Brahma, Vishnu e Shiva (Criação, Preservação e Destruição). Segundo os ensinamentos hinduístas, o mundo material em que vivemos é uma mera ilusão que Maya (ilusão) faz parecer real para enganar os homens e fazê-los sofrer.

RELIGIÃO INDIANA - À PROCURA DA LIBERTAÇÃO


Você já descobriu que existem muitas religiões na Índia, mas que o hinduísmo possui o maior número de adeptos. A filosofia hindu ensina que os homens possuem uma alma eterna e indestrutível (atma), que faz parte do deus Brahma, e que todos devem trabalhar para alcançarem a libertação (moksha).

O que é karma?
Esta libertação vem por meio da quebra do ciclo de existências sucessivas (samsara), ou seja, o homem constrói sua próxima existência através do conjunto de suas ações (karma). Enquanto não conseguir alcançar o nirvana, que é o estado de plenitude e de conhecimento de si mesmo e do universo, ele se vê obrigado a retornar para uma nova existência, que pode ser na forma humana ou de animal (metempsicose).


Que caminho devemos seguir?
A religião hindu reconhece três caminhos para se alcançar a libertação (moksha): o caminho do conhecimento (Jnana Marga), o caminho da devoção (Bhakti Marga) e o caminho da obras rituais (Karma Marga). Dentro deste contexto, estimula a prática da Yoga, que é uma forma de alcançar o equilíbrio entre o corpo e a mente, assim como de unir a alma individual (atma), a alma universal (Brahma) e a meditação como formas de elevação espiritual, que podem ajudar o homem a alcançar a iluminação e a libertação do mundo ilusório. Além destes, são importantes também a oração e o ascetismo, que é a libertação dos aspectos materiais do mundo.

O sistema de castas
Assim como o islamismo, o hinduísmo ganhou status de ordem política, já que essa religião ensina que a lei (dharma) criou os humanos e a própria natureza sob um sistema de castas. Cada indivíduo pertence à casta que merece. Quanto mais alta a casta, maior evolução espiritual a pessoa tem, ao menos em tese. Mas o sistema de castas há muito tempo já foi proibido por lei na Índia, apesar de ainda ser seguido em alguns locais na zona rural do país.

HISTÓRIA - CONHEÇA A ÍNDIA


A República da Índia é um país que ocupa a maior parte do subcontinente indiano (formado por Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão e, por razões culturais e tectônicas, a ilha do Sri Lanka e as Maldivas) e ainda as ilhas Laquedivas e Andamão e Nicobar. São muitos os países que circundam a Índia, formando fronteiras com China, Nepal, Butão, Mianmar, Bangladesh, Paquistão, além de ser banhada pela a Baía de Bengala, pelo oceano Índico, pelo mar das Laquedivas e pelo mar Arábico.

Muitas línguas em um só país
Depois da China, é o segundo país mais populoso do mundo, com mais de um bilhão de habitantes. Reconhece mais de 20 línguas oficiais, dentre elas o hindi (falada no norte, é a língua da administração central), o tâmil (no sul) e o inglês.



Sua capital é Nova Délhi, cidade projetada pelo arquiteto britânico Edwin Lutyens. A cidade é conhecida por seus boulevares amplos e cercados por árvores, e por abrigar diversas instituições e monumentos nacionais.

A chave para o novo mundo
Segundo a jornalista Mira Kamdar, a Índia é uma potência emergente do século XXI. “Nenhum outro país tem mais importância para o futuro do planeta do que a Índia. Não há desafio que enfrentemos, oportunidade que ambicionemos, em que ela não tenha importância crítica. (…) O mundo está passando por um processo de reciclagem profunda, no qual a ascensão da Ásia é o fator mais importante. A Índia tem a chave para esse novo mundo”, escreve Mira em seu livro Planeta Índia: a ascenção turbulenta de uma nova potência global.

A civilização indiana é uma das mais antigas do mundo e sua população diversificada divide-se em muitas religiões como o hinduísmo, o budismo, a religião muçulmana, o jainismo e o sikhismo.

CULTURA - O MUNDO DO CINEMA É AQUI!


Bollywood. O nome lembra muito Hollywood (nome dado à indústria cinematográfica norte-americana), mas na verdade, trata-se da indústria de filmes produzidos que surgiu Bombaim (antigo nome de Mumbai). A Hollywood indiana é a indústria cinematográfica que mais cresce no mundo: cerca de 900 filmes são produzidos por ano, uma média de 250 filmes a mais que nos Estados Unidos, assistidos por 14 milhões de indianos diariamente.

A história do cinema indiano
O cinema é tradição na Índia desde 1940, período marcado pela separação com a Inglaterra e necessidade de afirmação de uma identidade cultural. Na década de 70, o papel do cinema foi denunciar os crimes e absurdos praticados por um governo corrupto e violento. E foi a partir da década de 1990, com o crescimento econômico do país e o boom cinematográfico, que o cinema se tornou instrumento fundamental para expressar as necessidades da classe média emergente e ganhou um padrão de roteiro de qualidade.

Músicas fazem sucesso
Os filmes de Bollywood, assim como a maior parte dos filmes indianos, são na maior parte musicais. São as melodias cativantes e os diversos números de canto e dança que garantem o sucesso de público dos longas-metragens na Índia. Para aumentar ainda mais o interesse do público, as canções costumam ser lançadas antes mesmo da estréia do filme.


Beijo não é mais tabu
Os enredos de Bollywood tradicionalmente tendiam a ser melodramáticos. Amores impossíveis, triângulos amorosos, laços familiares, sacrifício, políticos corruptos, vilões terríveis, irmãos separados pelo destino e mudanças de sorte dramáticas eram constantes nas tramas. Ao mesmo tempo também existiam filmes indianos com histórias mais sofisticadas, mas que acabavam perdendo nas bilheteiras para filmes com um maior apelo de massas.

Atualmente, porém, as convenções de Bollywood têm mudado. A influência ocidental cada vez mais forte na Índia tem levado seus filmes a se aproximarem dos modelos de Hollywood. Beijos em filmes não são mais um tabu e os enredos mostram uma vida urbana com encontros ao estilo ocidental.

Tem brasileira em Bollywood!
A atriz da foto acima não é indiana, mas se tornou famosa como apresentadora de TV na Índia e que agora também segue carreira como atriz e dançarina de Bollywood. A gaúcha Bruna Abdallah mora em Mumbai e, assim como a maioria dos atores dos filmes indianos, não canta, mas apenas dubla as vozes de cantores já gravadas. Assista ao vídeo abaixo, que mostra o clipe protagonizado pela atriz para um dos filmes de Bollywood.


CULINÁRIA - OS DIVERSOS SABORES DA ÍNDIA


Conhecida mundialmente, a culinária indiana é extremamente diversificada, pois sofreu influência de diversos povos que passaram pelo país. Ao chegarem à Índia, estas culturas não só modificavam a paisagem, trazendo novas plantas, novos frutos, novas sementes, como também introduziam novas idéias e novas religiões. As marcas dessa extraordinária diversidade cultural acabam refletindo-se também na cozinha.

Gastronomia e religião
Além disso, a culinária indiana costuma ser estreitamente associada à religiosidade, pois existem muitos rituais ligados às refeições feitas pelas famílias do local. No hinduísmo, por exemplo, o ato de cozinhar é feito como uma oração e antes de ser consumido, o alimento é oferecido em comunhão aos deuses, geralmente em um altar doméstico, com devoção e amor.

Cereais, legumes e especiarias
Apesar de toda a diversidade encontrada na cozinha indiana, que também sofre influência do meio ambiente e suas transformações, é possível definir algumas características comuns dos alimentos consumidos no país. Sem pensar nas especificidades ligadas aos tabus, a base da refeição é sempre constituída de cereais - tais como arroz, trigo, milho, painço, cevada, de acordo com a região, legumes secos, como o dhal (uma espécie de sopa feita de lentilhas e feijões de diversas cores), além de outros legumes, picles e chutneys, e as imprescindíveis especiarias. A eles se juntam, dependendo da cultura e da região, pratos com peixe, carneiro, galinha e, sempre, iogurte e queijo de coalho fresco. Todos temperados com especiarias, que agem sobre o gosto, mas também têm funções medicinais conhecidas há bastante tempo, como atestam textos muito antigos.




Ficou interessado pela culinária indiana? Então experimente preparar um prato bem gostoso e fácil de fazer: o dhal.

Dhal (sopa de ervilhas)
Um tipo de sopa, feito de diferentes leguminosas tais como ervilhas, lentilhas, mung dhal (minúsculo feijão de cor verde), urad dhal (minúsculo feijão de cor amarela), etc. Deve ser bebido numa caneca ou numa pequena tigela.

Ingredientes:
1 xícara de ervilhas
2 batatas médias
1 colherinha de curry
1 colherinha de pimenta-do-reino
Manteiga, margarina (conforme preferência) ou mesmo azeite.
Sal
Preparo: Deixar as ervilhas de molho durante a noite. Cozinhar com sal a gosto. Cozinhar as batatas. Quando estiverem cozidas juntar às ervilhas e passar no liquidificador, adicionando água até ficar com a consistência de uma sopa.
Numa frigideira, derreter uma colher de sopa de manteiga, fritar o curry e a pimenta-do-reino. Despejar na panela com a sopa, adicionar um pouco de água se necessário e deixar em fogo brando até ferver. Servir quente.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

HISTÓRIA DO CARNAVAL



ORIGEM DO CARNAVAL


Dez mil anos antes de Cristo, homens, mulheres e crianças se reuniam no verão com os rostos mascarados e os corpos pintados para espantar os demônios da má colheita. As origens do carnaval têm sido buscadas nas mais antigas celebrações da humanidade, tais como as Festas Egípcias que homenageavam a deusa Isis e ao Touro Apis. Os gregos festejavam com grandiosidade nas Festas Lupercais e Saturnais a celebração da volta da primavera, que simbolizava o Renascer da Natureza. Mas num ponto todos concordavam, as grandes festas, como o carnaval, estão associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais. O carnaval se caracteriza por festas, divertimentos públicos, bailes de máscaras e manifestações folclóricas. Na Europa, os mais famosos carnavais foram ou são: os de Paris, Veneza, Munique e Roma, seguidos de Nápoles, Florença e Nice.


CARNAVAL NO BRASIL

Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia. Como afirma a autora Maria Isaura Pereira de Queirós*, a comemoração carnavalesca data do início da colonização, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos mais tarde, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.



O carnaval foi chamado de Entrudo por influência dos portugueses da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde, que trouxeram a brincadeira de loucas correrias, mela-mela de farinha, água com limão, no ano de 1723, surgindo depois as batalhas de confetes e serpentinas. No Brasil, o carnaval é festejado tradicionalmente no sábado, domingo, segunda e terça-feira anteriores aos quarentas dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa. Na Bahia, é comemorado também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, mudando de nome para Micareta. Esta festa deu origem a várias outras em estados do Nordeste, todas com características baianas, com a presença indispensável dos Trios Elétricos e são realizadas no decorrer do ano; em Fortaleza realiza-se o Fortal; em Natal, o Carnatal; em João Pessoa, a Micaroa; em Campina Grande, a Micarande; em Maceió, o Carnaval Fest; em Caruaru, o Micarú; no Recife, o Recifolia, já extinto.


  • O Entrudo (1985)
No tocante à música, tudo ainda era muito precário; o entrudo não possuía um ritmo ou melodia que o simbolizasse. Apenas a partir da primeira metade do século XIX, com a chegada dos bailes de máscaras nos moldes europeus, foi que se pôde notar um desenvolvimento musical mais sofisticado.

MÁSCARAS E FANTASIAS

Em 1834, o gosto pelas máscaras se acentuou no país. De procedência francesa, eram confeccionadas em cera muito fina ou em papelão, simulando caras de animais, caretas, entre outros. As fantasias apareceram logo após o surgimento das máscaras, dando mais vida, charme e colorido ao carnaval, tanto nos salões quanto nas ruas.

OS BAILES

O primeiro baile de máscaras de que se tem notícia no Brasil foi realizado no Hotel Itália (largo do Rócio, RJ) em 1840, por iniciativa dos próprios proprietários italianos, empolgados pelo sucesso dos grandes bailes de máscaras da Europa. A repercussão foi tamanha que muitos outros seguiram-se a este, marcando, também através do carnaval, as diferenças sociais que atingiam a sociedade brasileira : de um lado, a festa de rua, ao ar livre e popular; do outro, o carnaval de salão que agradava sobretudo à classe média emergente no país.



Dos salões, os bailes transferiram-se aos teatros, animados principalmente pelo ritmo da polca - primeiro gênero a ser adotado como música carnavalesca no Brasil - e depois, envolvidos pelo som da quadrilha, da valsa, do tango, do "cake walk", do "charleston" e do maxixe. Até então, esses ritmos eram executados apenas em versão instrumental. Somente por volta de 1880 os bailes passaram a incluir a versão cantada, entoada pelos coros.Em 1907 foi realizado o primeiro baile infantil, dando início às famosas matinês. As novidades não pararam por aí e as modalidades se multiplicavam, como as festas em casas de família, bailes ao ar livre, bailes infantis, e até mesmo bailes em circo. Em 1909, surge o primeiro concurso, premiando a mais bela mulher, a fantasia mais bonita e a melhor dança. Os prêmios eram jóias valiosas e somente os homens tinham direito a voto. Enfim, o carnaval crescia a cada ano, passando a fazer parte da realidade cultural do país, enquanto na Europa já se notava a sua decadência.

Por essa mesma época, a classe média preparava-se para invadir as ruas com outra novidade européia : os desfiles de carros alegóricos. O pioneiro da idéia foi o romancista José de Alencar, um dos fundadores de uma Sociedade denominada Sumidades Carnavalescas.


AS SOCIEDADES

Até o aparecimento das primeiras escolas de samba, os cortejos carnavalescos das chamadas "sociedades" predominavam no carnaval carioca. O primeiro clube a desfilar, em 1855, chamava-se Congresso das Sumidades Carnavalescas, mencionado acima. As sociedades eram clubes ou agremiações que, com suas alegorias e sátiras ao governo, encontraram uma forma saudável de competição. Em 1856, outra sociedade tomou as ruas: a União Veneziana. Era a coqueluche do Império. Com o tempo, as ruas viam se multiplicar o número de sociedades, tais como a Euterpe Comercial e os Zuavos Carnavalescos. Muitas competições e dissidências aconteceram até surgirem 3 grandes Sociedades que se consolidaram no carnaval da época: Tenentes, Democráticos e Fenianos.

E VIVA O ZÉ PEREIRA

Em 1846, houve um acontecimento que revolucionou o carnaval carioca : o aparecimento do "Zé Pereira" (tocador de bumbo). Para alguns estudiosos, esse era o nome ou apelido dado ao cidadão português José Nogueira de Azevedo Paredes, supostamente o introdutor no Brasil do hábito português de animar a folia carnavalesca ao som de bumbos, zabumbas e tambores, anarquicamente tocados pelas ruas. A tradição se espalhou rapidamente e o sucesso do "Zé Pereira" foi tão grande que, 50 anos mais tarde, uma companhia teatral resolveu representá-lo numa paródia da peça "Les pompiers de Nanterre" intitulada "Zé Pereira Carnavalesco", na qual o comediante Francisco Correia Vasquez cantaria com melodia francesa a quadrinha que se tornaria famosa :

"E viva o Zé Pereira
Pois que ninguém faz mal
Viva a bebedeira
Nos dias de carnaval".

Extinto no começo deste século, o Zé Pereira deixou como sucessores a cuíca, o tamborim, o reco-reco, o pandeiro e a frigideira, instrumentos que acompanhavam os blocos de 'sujos' e que hoje animam as nossas escolas de samba.

OS CORDÕES

Apesar de estrondoso sucesso dos bailes de salão, foi na esfera popular que o carnaval adquiriu formas genuinamente autênticas e brasileiras. Com a constante repressão ao entrudo, o povo viu-se obrigado a disciplinar as brincadeiras de rua, passando a utilizar a organização das procissões religiosas para a comemoração do carnaval: apareciam então os blocos e cordões, grupos que originariam mais tarde as escolas de samba. Formados por negros, mulatos e brancos de origem humilde, os cordões animavam as ruas ao som dos instrumentos de percussão. Sofreram forte influência dos rituais festivos e religiosos trazidos da África, legando para as gerações seguintes o costume de se fantasiar no carnaval. Os cordões possuiam música própria, desfilavam com estandarte e eram comandados pelo apito de um mestre. Daí a importância que tiveram para a formação das futuras escolas de samba.O primeiro cordão surgiu em 1885 e denominava-se Flor de São Lourenço. Depois deste, outros ocuparam as ruas e assim sucessivamente, atingindo o auge de sua popularidade nos primeiros anos do século XX.


O RANCHO

Assim como o cordão, o rancho era uma agremiação carnavalesca modesta, composta por pessoas humildes. Fez a sua primeira aparição no carnaval carioca em 1873. Os ranchos já existiam na cidade antes dessa data por influência nitidamente religiosa. Desfilavam em comemoração aos festejos natalinos no dia 6 de janeiro (Dia de Reis). Fantasiados de pastores e pastoras que rumavam a Belém, o grupo percorria a cidade cantando e pedindo agasalhos em casas de família. Por possuir letra e música próprias, acabaram por criar um gênero musical cadenciado, com grande riqueza melódica: a marcha-rancho.

Com a evolução das escolas de samba, por volta de 1920, os ranchos entraram em declínio, deixando para a posteridade as figuras do mestre-sala, da porta-estandarte e das pastoras ricamente adornadas.


O CORSO

O corso, lançado em fins da década de 1900, era um desfile de caminhões ou carros sem capota, adornados, que conduziam famílias ou grupos de carnavalescos dispostos a brincar com os pedestres ou com os ocupantes de outros veículos. O confete, a serpentina e o lança-perfume eram muito utilizados pelos animados foliões. A Av. Central, hoje Rio Branco, inteiramente congestionada por esses automóveis, que circulavam em marcha reduzida, era um dos trechos principais do cortejo.A moda surgiu no carnaval de 1907, quando as filhas do então presidente Afonso Pena, fizeram um passeio no automóvel presidencial, pela via carnavalesca, de ponta a ponta, estacionando depois defronte à porta de um edifício, de onde apreciaram a festa. Fascinados pela idéia, os foliões que tinham carro começaram a desfilar pela avenida, realizando calorosos duelos com outros veículos.

Há quem afirme que o corso desapareceu com a modernização dos automóveis, quando os veículos de capota alta foram substituídos pelos de linha mais simples. É bem provável que a popularização dos automóveis tenha de fato afastado os foliões das classes alta e média.Na verdade, muitos foram os motivos para o desaparecimento do corso: a dificuldade do tráfego, que já em 1925 amedrontava os foliões, o alto custo da gasolina e a descentralização do carnaval fizeram com que a população fosse buscar outros tipos de manifestação para poder comemorar os festejos de Momo.

AS ARMAS

Lança-perfume - Bisnaga de vidro ou metal, que continha éter perfumado. De origem francesa, chegou no Brasil em 1903.Serpentina - De origem francesa, chegou no Brasil em 1892.Confete - Procedente da Espanha, surgiu no Brasil também em 1892.

A MARCHINHA

A primeira música feita exclusivamente para o carnaval constituindo-se portanto num marco para a história cultural brasileira foi a marcha "Ó abre alas", da maestrina Chiquinha Gonzaga, composta em 1899 e inspirada na cadência rítmica dos ranchos e cordões. Esta marcha animou o carnaval carioca por três anos consecutivos e é até hoje conhecida pelo grande público. A partir de então, as marchas, também conhecidas como marchinhas, caíram no gosto popular. De compasso binário, com acento no tempo forte (primeiro tempo), eram inicialmente mais lentas para que seus dançarinos marchassem em seu ritmo. Com o passar do tempo, tiveram seu andamento acelerado por influência das "Jazz Bands"; daí serem conhecidas também como marchinhas.
Da música Ó abre alas aos sucessos carnavalescos de hoje, muitos foram os caminhos percorridos pelos gêneros musicais, até predominarem definitivamente o samba e a marchinha como ritmos prediletos: tango-chula, polca, marcha-rancho, fado brasileiro, marcha-portuguesa, toada, canção, toada-sertaneja, valsa, maxixe, cateretê, chula à moda baiana e marcha-batuque, entre outros.


O DESAPARECIMENTO DAS MARCHINHAS

As marchinhas de carnaval marcaram época, reinaram ao longo de muitos anos e assim foram transmitidas de geração em geração, tendo como principais aliados a divulgação radiofônica, os bailes de salão e as próprias ruas.

Muitos foram os fatores que contribuíram para o seu declínio, mas, sem dúvida, a supremacia da música estrangeira e de outros gêneros carnavalescos (como, por exemplo, o samba-enredo), fizeram com que as gravadoras (multinacionais em sua maioria) mudassem de rumo. Nas décadas de 30 e 40, o custo de produção de um disco era baixo e a sua difusão, gratuita, o que permitia às gravadoras obterem lucros vantajosos. Com a sofisticação da técnica e o desenvolvimento da indústria fonográfica, houve melhoria na qualidade, mas os custos de produção encareceram substancialmente, dificultando o acesso e a penetração de nossas marchas.

A partir dos anos 60, as gravadoras passaram a não mais investir no gênero. Apesar de algumas tentativas isoladas (principalmente de Braguinha e do apresentador Sílvio Santos), a canção carnavalesca passou a ser considerada um investimento sem retorno; as multinacionais preferiam incrementar os lançamentos de música estrangeira, utilizando os tapes originais, vindo de suas matrizes, com custos muito reduzidos. O lucro fácil passou a imperar no mercado e com isso os nossos artistas foram perdendo o espaço e o entusiasmo.

Decretava-se dessa maneira o declínio do gênero carnavalesco, que perdendo apoio da indústria fonográfica e, conseqüentemente, dos meios de comunicação, acabaria não tendo mais condições de sobrevivência. Restavam aos foliões, além dos velhos clássicos, os chamados sambas-enredo e sambas de quadra que, graças ao prestígio crescente das escolas de samba, independeriam do disco para se popularizar.***

De fato, o prestígio das escolas de samba aumentava a cada ano e, se não sensibilizou o mercado do disco, acabou atraindo um outro meio de comunicação bem mais sedutor: a própria televisão.

Com a chegada da transmissão em cores, no início dos anos 70, o carnaval passou a ser encarado como um espetáculo (bastante vantajoso por sinal) e com isso as escolas de samba obtiveram amplo destaque na mídia eletrônica. Para os organizadores, o "show" rendia (e rende) tanto através da venda dos ingressos - destinados aos turistas, em sua maioria - quanto das transmissões televisivas.Sem entrar profundamente no mérito da questão - a participação cada vez menor do povo no carnaval - o fato é que, para a glória das escolas, o samba-enredo pediu e ganhou passagem e vem, ao lado das marchinhas que ainda resistem no salão, assegurando a nossa tradição carnavalesca.

PRINCIPAIS FIGURAS CARNAVALESCAS

  • Colombina - Como Pierrô e Arlequim, é um personagem da Comédia Italiana, uma companhia de atores que se instalou na França entre os séculos XVI e XVIII para difundir a Commedia dell'Arte, forma teatral original com tipos regionais e textos improvisados. Colombina era uma criada de quarto esperta, sedutora e volúvel, amante do Arlequim, às vezes vestia-se como arlequineta, em trajes de cores variadas, como os de seu amante.

  • Arlequim - Rival de Pierrô pelo amor de Colombina, usava traje feito a partir de retalhos triangulares de várias cores. Representa o palhaço, o farsante, o cômico.

  • Pierrô - Personagem sentimental, tem como uma de suas principais características a ingenuidade.

  • Momo - Personagem que personifica o carnaval brasileiro. Sua figura foi inspirada no bufo, ator de proveniência portuguesa que representava pequenas comédias teatrais que tanto divertiam os nobres.
O CARNAVAL NOS ESTADOS BRASILEIROS

  • Bahia

Em Salvador, o carnaval começa efetivamente em dezembro, com a abertura dos festejos pela festa da Conceição da Praia. São celebrações que remetem umas às outras, adquirindo sempre, ao final, um estatuto carnavalesco.

A grande atração do carnaval baiano são os trios elétricos: músicos que percorrem as ruas em cima de caminhões equipados com potentes alto-falantes executando sucessos carnavalescos para o povo dançar. Ao que tudo indica, o trio elétrico surgiu em 1950, com Dodô e Osmar.


  • Pernambuco

Já em Pernambuco, destaca-se outro grande carnaval brasileiro, o de Olinda e de Recife. É desse Estado que surgiu um dos ritmos mais alucinantes da festa momesca: o envolvente e contagiante frevo. "E a multidão dançando, fica a 'ferver'..." Daí o surgimento da palavra "frevo".

Paralelamente, existe o maracatu, cortejo de origem africana, altamente expressivo. O berço dos maracatus foram as senzalas, quando os negros prestavam homenagem aos seus antigos reis africanos. Mesmo com o fim da escravidão, os cortejos continuaram. Daí o maracatu ganhou as ruas, tornando-se uma das peças essenciais do carnaval pernambucano.

  • São Paulo

Em São Paulo, o carnaval, que era uma festa restrita aos salões, começou a ser praticado nas ruas, atendendo às influências das escolas de samba do Rio de Janeiro, e repete o estilo das grandes escolas cariocas, enfatizando o luxo das fantasias e alegorias.


  • Outros estados

Nos outros Estados, geralmente aparecem traços peculiares, maneiras diferentes de celebrar a folia momesca. Mas a grande tendência registrada no Brasil inteiro é a do carnaval se homogeneizar segundo a fórmula carioca: de um lado, o carnaval de salão (luxuoso ou popular); do outro, o desfile das escolas de samba. Assim, o carnaval vai se transformando num ritual padronizado em todo o país.




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